Patrícia Pozza: homem também quer poder chorar?

Patrícia Pozza
Patrícia Pozza
Foto: reprodução

Ao conversar com um amigo e ouvir dele a queixa de tantos seminários e palestras voltados ao público feminino no mês de março, o que para ele parece uma exclusão do homem, comecei a refletir sobre um aspecto que penso ser interessante: enquanto boa parte das mulheres vem debatendo e buscando seus direitos, grande parte dos homens estão a margem deste processo.

Homens também sofrem com a cultura que trata as pessoas de forma desigual em função do seu gênero. Incentiva-se os meninos desde tenra idade com brinquedos de armas e carros em alta velocidade e depois as pessoas se surpreendem com os altos índices de violência destes e as mortes no trânsito. A verdade é que o homem ainda se sente pressionado socialmente a provar que é forte, viril e provedor e que comportamentos ou fatos da vida que vão contra a estes ideais colocam em risco a sua masculinidade.

Mesmo quando não se comportam de forma violenta e não usam das suas parceiras como objeto, muitos acabam por disseminar essa forma de lidar com as mulheres através de uma violência não direta como a da afirmação social através, por exemplo, do compartilhamento de fotos íntimas ou de piadas sexistas, tão comuns em grupos como os de WhatsApp.

O estereótipo dos “grupos de homens para falar de coisas de homens” como futebol, mulher e política é claramente uma forma de fortalecer relações machistas e criar uma zona de confiança longe das mulheres, o que só favorece a diferença e a violência de gênero. Isto ainda piora quando um homem ao invés de conversar sobre a situação, se cala diante de um conhecido que está sendo desrespeitoso ou até violento com a parceira ou demais mulheres.

A médica Nadine Gasman, responsável pelo escritório da ONU Mulheres no Brasil, afirma “Os homens tem que encontrar formas de viver melhor com eles mesmos, porque estão se matando entre eles. Também estão matando e agredindo as mulheres. E estão se perdendo em coisas que são parte da vida cotidiana, que são muito importantes. Compartilhar a criação dos filhos e das filhas. Poder amar, poder sentir, poder chorar.”.

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