Carlos Moisés: Acredito que a população catarinense exigia uma mudança

Foto: Engeplus

Natural de Florianópolis, Carlos Moisés da Silva nasceu em 17 de agosto de 1967. Entrou no serviço público pela formação da Polícia Militar no ano de 1987. Concluiu o Curso de Formação de Oficiais da Academia da Polícia Militar de Santa Catarina em 1990. Nessa época a PM e o Corpo de Bombeiros faziam parte da mesma corporação e, assim, Moisés decidiu ser Bombeiro.

Em sua trajetória profissional, além de ser Coronel da Reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), também se dedicou à vida acadêmica. É bacharel em Direito e mestre em Direito Constitucional pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), onde foi professor de direito administrativo e constitucional. É inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Em 2018, candidatou-se ao cargo de governador de Santa Catarina, alcançando 29,72% dos votos válidos no primeiro turno, ficando em segundo lugar na disputa com Gelson Merisio, do PSD.  Comandante Moisés foi eleito governador de Santa Catarina no segundo turno com mais de 70% do eleitorado.

Os questionamentos foram enviados ao Governador no mês de setembro. O Infosul teve acesso às respostas nesta sexta-feira, 18.

 

Na disputa pelo Governo do Estado o seu nome aparecia entre os últimos colocados nas pesquisas de intenção de voto divulgadas. Mesmo assim conseguiu ir para o segundo turno e vencer. O senhor acredita que sua vitória deu-se à uma onda ‘bolsonarista’, ou, de fato, os catarinenses confiaram no seu plano de governo?

Acredito que a população catarinense exigia uma mudança. Uma renovação. Acabar com velhas práticas, que oneravam ainda mais a máquina pública. Recebi 71,09% dos votos em Santa Catarina, um reflexo desse desejo. Meu plano de governo contemplava pontos considerados extremamente relevantes para os catarinenses. Desde que assumi o trabalho venho cumprindo o que foi prometido em campanha: criei o Colegiado Superior da Segurança Pública, uma iniciativa inédita no país. Também foram criadas a Secretaria Executiva de Integridade e Governança (SIG), responsável pelo controle interno, governança, combate à corrupção, e a Controladoria-Geral do Estado (CGE), que tem como funções a auditoria, a ouvidoria e a corregedoria no âmbito do Poder Executivo. Também estamos vindo de um trabalho que enxugou a máquina estatal nesses nove meses de gestão. Com a Reforma Administrativa, vamos economizar R$ 500 milhões em quatro anos de governo. Uma das medidas para isso foi a extinção de 2.054 cargos em comissão e funções de confiança.

 

Qual está sendo o principal desafio de governar Santa Catarina e como o senhor vê o cenário político atual?

Um dos principais desafios foi mapear e solucionar o descontrole dos gastos públicos, que era algo histórico em Santa Catarina. Fizemos uma radiografia completa e estamos remodelando e revendo contratos e processos. Estamos fazendo tudo isso para que cidadão se sinta representado pelo Governo do Estado. E também para economizar. Por exemplo, ao rever os processos e implantar um novo modelo de compra de combustível para a frota estadual de mais de 11,7 mil veículos, nós já economizamos R$ 6,4 milhões em nove meses. Acredito que o cenário político atual é de transformação e mudanças, que era o anseio da população. Por isso, um dos nossos objetivos é unir esforços para tornar Santa Catarina um lugar de oportunidades e de crescimento em todas as regiões e segmentos.

 

Foi veiculado na imprensa catarinense que o senhor teria exigido à expulsão dos deputados Jessé Lopes e Ana Caroline Campagnolo do PSL. O motivo teria sido às críticas que ambos fazem às suas decisões. O que de fato aconteceu e como o senhor lida com às críticas?

Nunca fui informado oficialmente sobre pedido de expulsão dos deputados e posso garantir que não misturo governo com partido.

 

Em visita recente à cidade de Laguna o senhor indicou ter interesse em construir uma ponte para ligar a região da ilha ao continente. Esse é um desejo antigo dos lagunenses. Esse projeto vai mesmo sair do papel?

Estamos em um trabalho intenso de analisar as demandas de todas as regiões catarinenses e atender àquelas que melhoram a vida do maior número de pessoas. Nosso objetivo é dar a mesma atenção a todos os municípios, independentemente do porte e região.

 

A cidade de Tubarão carece de algumas respostas do Governo do Estado. O presídio feminino, por exemplo, já teve sua inauguração adiada quatro vezes. O novo prédio do Instituto Geral de Perícias (IGP), também não fora concluído desde 2013. A SC-390 está sem manutenção há tempos. O que o senhor pode responder sobre essas questões?

Na realidade o Presídio Feminino de Tubarão não teve sua inauguração adiada quatro vezes. Houve um atraso no término da obra em função de ajustes finais, já que uma unidade prisional tem características diferentes de uma construção normal.  A empresa responsável pela obra solicitou um aditivo ao contrato e ele está sendo analisado. Atualmente, cerca de 98% do projeto está concluído. Sobre o novo prédio do IGP, em Tubarão, a empresa responsável pela obra solicitou um aditivo de serviço acima do limite estabelecido por lei depois que o prédio sofreu depredações e materiais foram furtados do edifício. Por isso, a Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina está em processo de rescisão contratual da obra. Depois disso, será feito outro edital para contratação de uma nova empresa.

Em relação às rodovias, nós encontramos 74% das estradas catarinenses em estado ruim ou péssimo. Para solucionar os problemas de falta de manutenção, lançamos o Projeto Recuperar, uma iniciativa inédita com os municípios, que vai melhorar quase 4 mil quilômetros da malha rodoviária estadual. São cerca de R$ 6,5 milhões de investimentos por mês e Tubarão está entre os municípios contemplados. O convênio com o Consórcio Cim-Amurel foi assinado no começo deste mês. Será feita a manutenção em 373 quilômetros de rodovias estaduais na região, mediante um repasse mensal de aproximadamente R$ 615 mil, que totalizará pouco mais de R$ 3 milhões em quatro meses.

 

Em um vídeo publicado no seu instagram, o senhor afirma que não medirá esforços para proteger a família. O que o senhor considera como ameaça para a família?

A violência é uma ameaça para a família, a falta de investimentos em educação e saúde também. Tudo aquilo que ameaça a vida do cidadão é uma ameaça para a família. É por isso que apostamos tanto em projetos e ações que contemplam essas áreas.

 

Lideranças aqui do Sul estão pedindo uma reunião com o senhor desde que assumiu o governo, mas encontram dificuldades com sua agenda. Quando esse encontro será viável para discutir o desenvolvimento regional?

Uma das prioridades da nossa gestão é ser um governo municipalista, contando com as prefeituras para definir as prioridades e atender melhor os cidadãos. Sabemos que é no município que estão as demandas que o cidadão precisa. Por isso, criamos a Central de Atendimento aos Municípios (CAM), responsável pela interlocução com as prefeituras de todo o Estado. Queremos dar o mesmo tratamento a todos os municípios e regiões. No Sul, inclusive, estivemos em mais de uma ocasião no mês de setembro. Na região, anunciamos investimentos importantes, como o repasse de R$ 9 milhões para a pavimentação do acesso do Centro de Jaguaruna ao aeroporto da cidade, R$ 8 milhões para o Centro de Inovação, em Criciúma, além de R$ 22,5 milhões para a revitalização da rodovia Jorge Lacerda, o acesso Sul à BR-101. Em breve, também iremos concluir a rodovia Ivane Fretta, em Tubarão. Todas essas medidas são fundamentais para impulsionar o desenvolvimento dessa região tão importante para Santa Catarina. Tentamos administrar a agenda da melhor forma possível e assim atender as pessoas.

 

Prestes a completar um ano de mandato o senhor consegue listar os principais erros e acertos até aqui?

Nossa gestão tem sido precisa na redução de gastos, que é fundamental pois estamos economizando o dinheiro que é do cidadão. Um exemplo disso foi a venda da aeronave do Governo do Estado. Nas gestões anteriores, chegaram a gastar R$ 6 milhões por ano com os trajetos aéreos. Com nossa comitiva viajando em voos comerciais, teremos uma economia de 95% nos deslocamentos. Até o fim deste ano, não vamos gastar nem R$ 200 mil. Outro exemplo é o Governo Sem Papel, que gerou economia de R$ 14 milhões em impressões, transporte de documentos e papel aos cofres públicos em cinco meses. Desde abril, a tramitação de processos do governo passou a ser exclusivamente digital. Tudo isso gera uma economia, mas o melhor, gera a oportunidade de aplicar o dinheiro onde realmente faz a diferença para o cidadão. Nossa gestão é voltada para que o morador de Santa Catarina sinta no dia a dia dele a melhora dos serviços prestados pelo Estado.