Centenas de pessoas comparecem a palestra do craque Zico em Jaguaruna

Foto: Patrícia Amorim

Arthur, um nome muito escolhido para meninos. Um dos motivos de tamanho sucesso? Ser o nome de um grande ídolo do futebol: Arthur Antunes Coimbra. Ex-jogador do flamengo e da seleção brasileira, atualmente técnico do Kashima Antlers no Japão, Zico, como é mais conhecido, viaja pelo Brasil implantando um projeto educacional chamado Zico 10. Nesta sexta-feira, 17, ele esteve presente no município de Jaguaruna, no CTG Estância do Retiro, para ministrar uma palestra. O projeto foi implantado em maio de 2019 na cidade. Atualmente atende centenas de crianças espalhadas por três escolas. São elas: Escola Básica Municipal Antônio João Mendes, no Camacho, a Escola Básica Municipal Professora Dalcy Ávila de Souza, em Jaguaruna e a Escola Básica Municipal Luiza Nicolazzi Gomes, no Balneário Campo Bom. Em cada centro educacional as crianças participam de um contraturno de segunda a quinta-feira, ou seja, um período do dia estudam regularmente as disciplinas das séries em que se encontram e no outro turno realizam atividades dentro do projeto educacional Zico 10. A secretária de Educação e Cultura de Jaguaruna, Jeanine Ferreira dos Anjos, conta que no contraturno os estudantes tem acesso a aulas de matemática, língua portuguesa, didática da vida e educação física. Os professores são da rede municipal de ensino e realizam capacitações para ministrar as disciplinas.

“Lutei muito para que o projeto fosse realizado e vê-lo em andamento é gratificante. Tive a oportunidade de conversar com o Zico no camarim e receber seu carinho e ver em seu rosto a satisfação é maravilhoso”, conta emocionada a secretaria.

Em coletiva de imprensa concedida antes da palestra, Zico explicou que a ideia do projeto surgiu após sentir a necessidade de mostrar a nova geração que futebol não é tudo. “Eu pude trabalhar em um clube que sempre incentivou a estudar, aprendi isso fielmente e acho importante passar esse aprendizado para a nova geração. O estudo é fundamental! O nosso país não vive só de futebol. Se eu fosse presidente a primeira medida que tomaria seria melhorar a educação em nosso país”, relatou o ídolo rubro-negro.

Quase um ano após sua implantação, o prefeito Edenilson da Costa, contou que esse é exatamente o objetivo do projeto, formar cidadãos. “É importante reforçar que o objetivo do projeto não é criar craque no futebol, mas formar cidadão. Já percebemos que as crianças tem tido crescimento no aprendizado e nas notas”.

Não é só futebol

Daniela Freccia esteve presente no evento acompanhando seu filho. Vincius tem de 15 anos e participa do projeto Zico 10. O adolescente fica alojado na Escola Básica Municipal Luiza Nicolazzi Gomes, no Balneário Campo Bom, juntamente com outros colegas. Nos fins de semana ele vai para casa. “Meu filho está bem mais disciplinado. No alojamento precisa arrumar sua cama, fazer demais tarefas que em casa talvez demoraria para fazer. Além de melhorar no futebol tem se tornado um adolescente responsável e maduro”, contou orgulhosa.

Palestra marca o dia Zico 10

Foto: Patrícia Amorim

Centenas de estudantes do projeto, pais e torcedores flamenguistas prestigiaram a palestra do Zico. A abertura do evento ficou a cargo de Carlyle Carlos dos Santos, que ministrou uma aula de matemática. De uma forma dinâmica prendeu a atenção da criançada. Logo após, a estrela do dia, Zico, contou sua trajetória como jogador e mostrou mais uma vez aos presentes a importância da educação na formação. Ao final de sua fala, o prefeito Edenilson e a secretária Jeanine entregaram uma placa ao craque, como forma de agradecimento pela execução do projeto no município.

Futebol feminino

Destaque para presença de 50 meninas no projeto. Zico destacou que o Brasil é um país atrasado no futebol feminino e o projeto visa também incentivá-las na prática do esporte.

“Quando inaugurei o centro de futebol em 1995 nós tínhamos na primeira turma por volta de 70 a 80 meninas jogando. Contudo, quando chegavam aos seus 17 anos de idade não tinham para onde ir. Não havia clube que aceitasse meninas e isso as desestimulava. Hoje o cenário está um pouco melhor, já temos campeonato, por exemplo. No Japão é obrigatório a presença feminina na aula de futebol. EUA é a maior referência na área. E nós? Temos a maior jogadora do mundo e ainda assim somos muito atrasados”, falou o galinho.