Covid-19: possível erro do HNSC deixa 40 pessoas expostas ao vírus durante velório; hospital não quis comentar o caso

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Dez dias após o falecimento de um homem de 44 anos, vítima do novo coronavírus, em São Ludgero, pelo menos 40 pessoas que participaram do velório vão realizar testes rápidos nesta terça-feira, 04. Isso porque, de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, funerais e sepultamentos de pacientes suspeitos ou confirmados para o vírus precisam seguir uma série de cuidados – o que não aconteceu; mas não por irresponsabilidade, e sim por desconhecimento do laudo da vítima.

Segundo a Vigilância Epidemiológica local, o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, onde a vítima esteva internada, somente comunicou ao município que se tratava de um paciente positivo para Covid-19 no dia 27 de julho, quando o corpo já havia sido sepultado.

Antes dessa data, ainda de acordo com a vigilância, a unidade hospitalar sequer havia informado a realização da coleta de material no paciente; o que evidenciaria um caso suspeito para a infecção e, desta forma, o velório teria sido impedido.

Mas neste caso em específico, além da evidente falha na comunicação, o HNSC também não seguiu o protocolo de manejo de corpos no contexto do novo coronavírus, pois no momento em que o serviço funerário foi buscar o corpo na entidade, o mesmo não estava identificado como determina o Ministério da Saúde.

Como consequência desses equívocos, o serviço funerário manipulou o corpo sem saber dos riscos de contaminação; durante o velório, o caixão ficou o tempo todo aberto; e dezenas de pessoas foram expostas ao vírus.

A reportagem do Portal Infosul entrou em contato com a assessoria de comunicação do Conceição, mas eles disseram que não vão comentar o caso.

Internação, exame e família

O homem deu entrada no Hospital Nossa Senhora da Conceição no dia 24 de julho. Entre os problemas apresentados, tosse e diarreia chamaram a atenção. Porém, por se tratar de um paciente com câncer, em momento algum a família considerou que esses sintomas fossem provenientes da Covid-19, pois devido ao tratamento oncológico, essas ‘reações’ eram frequentes.

Ainda assim, os profissionais da unidade realizarão – sem comunicar a família – a testagem do paciente utilizando o exame PCR. A amostra foi enviada ao Laboratório Central de Santa Catarina – Lacen, e o resultado só foi confirmado na tarde do dia 27. A vítima faleceu na madrugada do mesmo dia, às 2h30.

No atestado de óbito não constava que a causa da morte havia sido provocada por complicações do novo coronavírus. Um novo documento, atualizado, deve ser emitido.

O que diz a Vigilância Epidemiológica

A reportagem conversou com a Enfermeira Responsável Técnica da Saúde Municipal, Greice Lessa Baldin, que nessa situação respondeu em nome da Vigilância Epidemiológica, e segundo ela “Foi um susto quando a gente recebeu o e-mail. A princípio nós até pensamos que tinha sido um equívoco, então entramos em contado com eles [hospital] e, de fato, foi confirmado que o paciente sepultado horas antes tinha testado positivo para Covid-19”, conta.

Questionada se o hospital chegou a entrar em contato com a vigilância após o dia 27, ela afirma que não. “Desde o dia 27 a gente tem enviado e-mails para o Conceição e eles não dão retorno. Nós queremos entender o que aconteceu. A única pessoa que eu consegui falar foi a enfermeira da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar [não citou o nome], mas também não tive respostas. Para se ter uma ideia, quem nos orientou o que fazer foi a DIVE”, desabafa a profissional.

A enfermeira também destacou a força-tarefa necessária para conseguir unir os nomes das pessoas que estiveram no velório. “Assim que tivemos conhecimento de tudo isso, nós imediatamente entramos em contato com a família, explicamos o que aconteceu, e logo começamos a anotar e mapear as pessoas. Um ia falando o nome do outro e foi assim que conseguimos chegar nesse número aproximado de 40 pessoas para fazermos a testagem rápida, respeitando os 10 dias do contato com o vírus”.

Sobre um possível processo contra o hospital tubaronense, em virtude dos equívocos e da negação da entidade em esclarecer o que aconteceu, Greyce é cautelosa. “Olha, nós temos tudo registrado. Temos os e-mails enviados, o recebido, uma declaração da funerária de como o corpo não estava como deveria estar, enfim, tudo aqui. Nós do município não iremos judicializar essa questão, mas já deixamos a família ciente que todos esses documentos estão disponíveis caso eles queiram tomar alguma atitude”, finaliza.