De Juninho a Junior Belliato

Antes era chamado de Juninho, mas o amadurecimento profissional o tornou Junior Belliato. Hoje, com 32 anos de idade, o londrinense não poderia ser outra coisa a não ser goleiro! E olha que tentou, Belliato certa vez participou de um processo seletivo para ser funcionário do Habib's (uma rede de restaurantes de comida rápida brasileira especializada em culinária árabe), contudo, sua sinceridade ao preencher formulários para vaga não lhe deu chance. “Eu ganhava apenas R$50,00 como ajuda de custo como jogador, via meus amigos, colegas, bem vestidos e eu não conseguia comprar nem um sabonete. Tentei essa vaga para o Habib’s. O problema é que sou muito sincero, não sei mentir. O formulário questionava minhas habilidades, como por exemplo, se eu sabia mexer em uma calculadora científica. Óbvio que não sabia e assim foi em vários itens. Então pensei: é eu tenho que ser jogador mesmo”, contou com bom humor.

Belliato é o filho do meio. Tem mais dois irmãos. O mais velho foi sua inspiração, pois, também era goleiro. A situação de querer seguir os passos do irmão lhe atrapalhou um pouco no início. Seu pai queria que ele jogasse na linha e assim treinou por algum tempo. Na primeira oportunidade de jogar no gol, mostrou seu potencial e então, não teve quem tirasse suas luvas.

O início de sua carreira foi no Londrina/PR, passou por Maringá até chegar no União Barbarense/SP. Nessa época tinha 17 anos. Logo que chegou em São Paulo recebeu convite para integrar a equipe do Manaus, que iria disputar a Copa SP. Era a chance de ser jogador profissional! Belliato destaca que não pensou duas vezes, mas precisou solucionar um impasse: a diretoria do União Barbarense optou por não liberá-lo. “Na época a gente dormia em um hotel da cidade. No meio da noite pulei a janela, peguei um ônibus e fui pra Manaus. Valeu a pena porque era minha chance de ser profissional. Depois de um tempo ainda encontrei o treinador e morri de vergonha. Mas eles entenderam e ficou tudo certo!”.

Do Manaus o goleiro foi para São Caetano/SP e lá permaneceu 10 anos. Era a realização de um sonho, o São Caetano estava na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.  Infelizmente o sonho algumas vezes vira um pesadelo e quando surgiu a oportunidade de ser titular acabou se lesionando ficando fora por sete meses. Em seu retorno, vestiu a camisa de clubes como Confiança/SE, Barretos/SP e ABC/RN. Foi no ABC, quando seu contrato estava encerrando, que recebeu a ligação do Clube Atlético Tubarão. Junior Belliato já tinha ouvido falar do clube, já que seu amigo Luiz, goleiro do Criciúma, falava sobre a equipe.

Clube Atlético Tubarão

“A decisão foi acertada. Sou muito feliz no Tubarão”, afirmou Belliato. O goleiro entrou na equipe em 2017. Conta que se sente honrado em participar do crescimento do Clube Atlético Tubarão. Esteve na melhor campanha da equipe na série A do Campeonato Catarinense, o CAT conquistou o 3° lugar em 2018. Também fez parte do histórico confronto entre Atlético-PR 5 x 4 CAT pela Copa do Brasil no mesmo ano. Em sua opinião o clube tem condições de conseguir o acesso para série C, B e A do Brasileiro. “Naturalmente as coisas vão acontecer”, afirmou.

Pênaltis

Quem o acompanha sabe do seu potencial para defesa de pênaltis. No Campeonato Catarinense deste ano o goleiro foi decisivo em alguns jogos para o Tubarão. No momento em que o batedor se prepara, no aguardo da autorização do juiz, enquanto a torcida está apreensiva, Belliato fica calmo e seguro. Há algumas táticas que ele confessou na entrevista, mas não iremos entregá-las para que continue a ter sucesso em suas defesas! Um fato marcante sobre pênaltis aconteceu na Copa do Nordeste, quando jogava pelo ABC/RN. No time adversário encontrou um ex-colega do São Caetano. O juiz marcou um pênalti a favor e adivinha quem buscou a bola para bater? Seu ex-colega. “O nome dele é Giovani. Eu disse pra ele: não bate o pênalti que você sabe que eu vou pegar! Neste momento ele tirou a bola de baixo do braço e deu para o seu parceiro. Desistiu! E não é que o companheiro dele bateu e eu peguei?”.

Frango

Tomar o famoso “frango” é uma situação que nenhum goleiro quer passar, mas Belliato teve essa infelicidade recentemente, no confronto contra o Avaí aqui mesmo no Estádio Domingos Silveira Gonzales. A partida era válida pela Copa SC. O jogo estava 2 a 1 para o peixe quando nos segundo finais do jogo, em uma saída errada, ele falhou. “Se eu falar que a gente não sente, vou estar mentindo. É uma frustração, você trabalha todos os dias para não acontecer. Mas com um emocional equilibrado, personalidade forte, apoio dos colegas, levantamos a cabeça e seguimos o jogo”, comentou sobre o fato.

Liderança

Independente do técnico, do campeonato, uma coisa é certa no peixe: Junior Belliato é o capitão. É algo natural e visível. Lá da área do gol ele gesticula, conversa com os colegas, apoia e briga. O goleiro afirma que para ser um líder, principalmente dentro de campo, precisa fazer com que seus companheiros acreditem em você. “Nos treinos sou o primeiro a chegar e o último a sair. Sempre dou 100% de mim para cobrar melhor desempenho dos meus colegas”, explicou.

Passado x futuro

Aos 32 anos de idade Belliato conta que se pudesse voltar ao passado mudaria apenas uma fase de sua vida. “Eu ficaria menos tempo no São Caetano. Não que fosse ruim, o salário e as condições eram boas. No entanto, talvez se tivesse ousado e aceitado ir para outro clube, poderia ter mais oportunidades”, relatou o goleiro. Olhando para frente, se vê integrando uma equipe da elite do futebol brasileiro. Confia em sua qualidade para isso. E essa equipe pode ser o próprio Tubarão. “Acredito mesmo que o peixe tem potencial para estar na lista dos melhores do Brasil. Espero estar na história do clube quando chegar lá”, finalizou.

Texto: Patrícia Amorim | Colunista esportiva