Em coletiva à imprensa, Unisul e Ânima dão detalhes do acordo firmado

Foto: Marcelo Becker

Durante a manhã desta quinta-feira, 14, representantes da Unisul e do Grupo Educacional Ânima promoveram uma coletiva de imprensa para dar detalhes do acordo firmado entre as duas instituições. O encontro ocorreu no Salão Nobre da universidade.

O reitor Mauri Heerdt, abriu a coletiva afirmando que a Unisul começa, agora, uma nova fase. "Muitas vezes as nossas ações foram de resignação, mas hoje nós passamos essa fase. Voltamos a ser aquela Unisul que nós conhecemos, que vai continuar e qualificar o seu projeto de educação...", afirma.

"Nós poderíamos ter a liquidação da Unisul. Em todos os pontos de vista, a solução que tomamos foi para salvar a universidade. Nós teríamos muitos problemas para atravessar o ano 2019/2020. Até o dia 20 de novembro, por exemplo, tínhamos o compromisso de liquidar ações trabalhistas. Os impostos não estavam em dia, poderíamos perder bolsas de estudos", detalha Mauri Heerdt sobre o colapso que a universidade sofreria caso não procurasse ajuda.

Como reflexo da parceria, no início da manhã desta quinta-feira, 14, o restante dos salários referentes ao mês de outubro foram creditados para os colaboradores. Além disso, o 13º salário deve ser pago dentro do prazo regulamentar. Já sobre dívidas trabalhistas, Mauri lembrou do acordo assinado junto ao Tribunal Regional do Trabalho, onde a instituição têm um prazo de 30 dias após a assinatura de transferência de mantença da universidade para honrar com os débitos. Até lá, conversas serão agendadas com o sindicato.

O reitor também destaca que o quadro de pessoal deve ser revisto, no entanto, não será algo imediato. "Primeiro, estamos elaborando um Programa de Demissão incentivada (PDI), onde os colaboradores que não se sentem mais confortáveis na instituição, poderão aderir e ter benefícios. É um plano mais humanizado".

Até que a parceria seja aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) o Grupo Ânima emprestará recursos para que a Universidade consiga cumprir o pagamento das contas, adquirindo como consequência a Certidão Negativa de Débitos (CND) e, assim, consegue manter bolsas de estudos como o Prouni e Fies. Enquanto a transferência de mantença não acontece, a Fundação Unisul continua na direção da universidade.

Marcelo Bueno, presidente da Ânima, garante que depois de aprovado o CADE, o grupo deve trazer o que há de melhor para a Unisul. "Não vamos pensar em fechar curso A ou B, queremos trazer o que há de melhor e, colocá-la novamente no patamar que merece", declara durante coletiva.

O Prefeito de Tubarão e Presidente do Conselho Curador da universidade, Joares Ponticelli, detalhou que as conversas com o Grupo Ânima começaram há 2 anos e 10 meses, mas foram retomadas há pouco tempo, resultando no êxito das negociações. Segundo ele, conversas com a Cruzeiro do Sul também foram iniciadas, mas não foi possível o acordo devido às condições impostas. "A primeira condicionante foi manter o nome Unisul e também a sede na cidade de Tubarão. Mas sem sombra de dúvidas algumas ações serão revistas, como o quadro de pessoal. Essa parceria vem para somar e colocar toda sua expertise em funcionamento. E um plano de gestão se faz necessário", explica o gestor.

O comunicado de parceria entre Unisul e o Grupo Ânima foi realizado no fim da tarde de ontem, 13. O acordo prevê que o grupo educacional compartilhe a administração da instituição até 4 de Janeiro de 2021 ou até que consigam aprovação para o negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e posteriormente, de manifestação favorável da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e do MEC. O valor da negociação gira em torno de R$ 300 milhões.