ENTREVISTA: Amurel completa dez meses da pandemia de Covid-19 somando 40,9 mil casos e 449 mortes

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Por Joelson Cardoso

A Amurel chega ao décimo mês da pandemia do novo coronavírus nesta sexta-feira, 15, acumulando 40.900 casos confirmados da doença. 96% das pessoas que contraíram a Covid-19 na região já estão curados. Os números são dos boletins divulgados pelas secretarias de saúde na noite desta quinta-feira, 14.

Atualmente 969 pacientes estão com o vírus ativo. Pela primeira vez, após pouco mais de dois meses, a Amurel registra menos de mil moradores em tratamento contra o coronavírus. Isso depois de passar o mês de dezembro com uma média de quatro mil casos ativos.

O número de mortes causadas por complicações da Covid-19 chega a 449 na região. Nesta quinta-feira, Tubarão registrou mais um óbito. A vítima foi um idoso de 92 anos.

A Amurel voltou a ser classificada como risco potencial gravíssimo (cor vermelha) para transmissão do novo coronavírus, segundo o mais recente matriz de risco do Governo de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Saúde (SES), publicada na quarta-feira, 13.

PRIMEIRO CASO
O primeiro caso do novo coronavírus na região foi registrado em 15 de março de 2020. Naquele dia, o Hospital Santa Terezinha, de Braço do Norte, divulgou a confirmação de um paciente positivo para Covid-19 no município. Tratava-se de uma mulher de 48 anos com histórico de viagem ao exterior. O registro do primeiro caso não significa que o vírus na região se espalhou a partir deste em especifico. Na sequência, diferentes casos foram sendo confirmados em outras cidades sem relação com o primeiro.

Por Portal Infosul

Quase um ano após o início da pandemia de Covid-19 na Amurel, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o vírus. Por essa razão, o Portal Infosul procurou o médico infectologista Rogério Sobroza para responder questões comumente indagadas pela população. O especialista falou também sobre a segurança do retorno às aulas presenciais, vacinas e desgaste emocional da classe médica, que enfrenta o vírus diariamente há 10 meses.

Mais de 200 mil vidas foram ceifadas em razão da Covid-19 no Brasil. Em nossa região, são mais de 300 famílias que sequer tiveram a oportunidade de uma despedida digna de seus entes. Ainda assim, muitos acreditam que se trata apenas de uma “gripezinha”. Doutor Rogério, o que já sabemos sobre esse vírus?   Já sabemos várias coisas que diferenciam a COVID-19 de uma gripezinha.

A primeira coisa é que se trata de uma doença muito mais transmissível do que as infecções respiratórias em geral. A taxa de mortalidade da doença também é muito mais alta do que a vírus respiratórios em geral, e os grupos de alto risco tem mortalidade ainda maior.

O risco de ter doença grave e morrer pela COVID-19 aumenta com a idade, com a presença de doenças pulmonares, cardíacas e diabetes do tipo II.  A transmissão se dá por gotículas de saliva principalmente de forma direta de uma pessoa para outra, mas também contaminando ambientes que são tocados pelas mãos das outras pessoas (forma indireta), e em menor escala ocorre a transmissão pelo ar.

Por isso manter a distância das outras pessoas, usar máscaras, higienizar as mãos frequentemente, evitar tocar a face com as mãos e evitar ambientes fechados com outras pessoas são medidas importantes para evitar a transmissão.

A pergunta é simples, mas o assunto ainda gera dúvidas. De forma objetiva e clara, uma pessoa que foi infectada pelo novo coronavírus, pode ser reinfectada?  

Sim, a reinfecção já foi comprovada, mas não é uma coisa muito frequente.

Complementando a questão anterior. Uma pessoa já infectada e recuperada pode ter contato com o vírus novamente, não o desenvolver no organismo e mesmo assim transmitir a doença?  

Sim. Além de poder se reinfectar, a pessoa pode carrear o vírus com suas mãos e roupas de ambientes contaminados para pessoas que não tiveram a COVID-19.

Desde março de 2020, quando a Amurel registrou o primeiro caso de Covid-19, tem se falado sobre distanciamento/isolamento social. Até hoje muitas pessoas têm dúvidas da eficácia desta medida simples, mas que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) pode salvar vidas. A política é umas das principais razões para essa descrença. Enquanto médico, atuante na linha de frente no combate ao novo coronavírus, qual a sua posição sobre a política que se faz entorno do distanciamento/isolamento social? 

Sabemos que a nossa ciência e medicina não são perfeitas, mas o método científico é o que permitiu o grande avanço da humanidade no tratamento de doenças nas últimas décadas. Desta forma, se temos que tomar alguma atitude em relação a proteção da nossa saúde, minha sugestão é que sigamos o que foi comprovado cientificamente, ou seja, o distanciamento social, o uso de máscaras e a higiene das mãos.

Sobre as vacinas. O Instituto Butantan, de São Paulo, afirmou que a CoronaVac, produzida em parceria com o laboratório chinês Siniovac, tem eficácia global de 50,38%. O que representa essa porcentagem?

Representa que apenas metade das pessoas que teriam a COVID-19 tiveram a doença quando tomaram a vacina. No entanto, nenhuma das pessoas que tomou a vacina precisou ser internada pela doença, ou seja, a vacina protegeu contra as formas graves da doença. Na pratica, se esta vacina for usada por todos, ela ajudaria não só a reduzir o número de casos, mas resolveria o problema da mortalidade e da sobrecarga dos hospitais.

Fazendo um balanço do que já foi divulgado no mundo, as vacinas – ainda que produzidas em tempo recorde – são seguras? Há motivos para desconfiança?  

A segurança foi bem avaliada nestes estudos. Não há motivos para desconfiança.

O Mapa de Classificação de Risco para Covid-19, divulgado semanalmente pela Secretaria de Estado da Saúde, durante semanas classificou a região da Amurel como GRAVÍSSIMO (cor vermelha) para o contágio da doença. No entanto, fomos reclassificados para GRAVE (cor amarela) e, desta forma, várias foram as flexibilizações. Essa não seria uma atitude equivocada, como um “efeito sanfona”, visto que logo na semana seguinte voltamos ao nível GRAVÍSSIMO?

Este sistema de classificação de risco pode apresentar falhas, especialmente se pensarmos que no período de final e inicio do ano existe uma redução natural (por motivo de viagens, férias, etc) do número de profissionais que trabalham na epidemiologia podendo geral reduções artificiais no numero total de casos, que tendo a voltar a aumentar quando o trabalho destes profissionais volta ao normal. Além disso observa-se com muita frequência mudanças do governo do estado na forma de calcular os indicadores, dificultando a interpretação dos dados.

É possível termos um retorno seguro às aulas no mês de fevereiro, como foi divulgado pelo Governo do Estado?

Tudo é possível com adequado planejamento. Salas de aula com número reduzido de alunos, mesclar atividades presenciais e não presenciais. Hoje atividades muito menos importantes que as escolares já estão funcionando.

Por fim, o que o senhor tem a dizer sobre os profissionais que atuam diariamente na linha de frente desta pandemia? Como estão lidando com a saúde física e emocional?

As dificuldades de estrutura já foram muito maiores do que as que enfrentamos hoje. A dificuldade em relação aos recursos humanos é o que preocupa mais hoje. Os profissionais de emergência, de UTI, os hospitalizas, que tratam pacientes internados são recursos escassos. Estes profissionais tem trabalhado com muitas horas extras semanais, o que sem dúvida não é sustentável a longo prazo, e não temos visto um esforço de capacitação de novos recursos humanos proporcional a esta necessidade. Com isso, a tendência é que um novo aumento no número de casos possa não ser seguido da mesma resposta em termos de aumento do número de leitos como aconteceu entre novembro e dezembro.

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