Esporte sem assédio: grupo de corrida promove aulão de defesa pessoal para mulheres

Foto: Nara Marcon

“Adoro esses shorts, mas pode ser curto demais e chamar a atenção. ”
“Que calor! Vontade de tirar a blusa e ficar de top, mas melhor não, vão me julgar de forma errada.”

Aposto que uma dessas frases já passou pela sua cabeça, principalmente se você é mulher e pratica atividade física. Se você é homem, e está lendo essa matéria, garanto que não enfrenta esse tipo de problema: vestir algo prevendo o que a sociedade irá julgar. Não, não é “mimimi”! São fatos diários. E como se não bastassem julgamentos somos assediadas. Pratico esporte e tem sido cada vez mais difícil colocar o tênis e sair com tranquilidade pelas ruas correndo. Homens sentem-se no direito de olhar de forma vulgar, proferir palavras esdruxulas e tocar.

Recentemente tivemos um caso na praia de Jaguaruna, onze horas da manhã, em plena luz do dia, onde uma jovem foi atacada enquanto praticava exercício na beira do mar. Aqui na cidade azul, a famosa beira-rio encontra-se insegura. No período noturno principalmente, onde há descaso dos responsáveis com a iluminação pública, a instrução é não correr ou caminhar sozinha, mesmo que seja em horário de grande movimentação. E assim vamos vivendo: alienadas ao que vestir ou ao horário de sair.

Enquanto essas questões evoluem a passos (muito) lentos, atletas do grupo de corrida da F3 Assessoria Esportiva estão promovendo um aulão de defesa pessoal. Qualquer mulher, independente de assessoria, de qual modalidade pratica, pode (e deve) participar. O aulão vai acontecer no próximo dia 29 de fevereiro, sábado, na academia Alliance Tubarão. O valor da inscrição é de R$ 25,00. A aula ficará a cargo do instrutor Allison Simon, faixa preta em jiu-jitsu. Interessadas devem entrar em contato com a atleta Natalia Bittencourt através do telefone (48) 99917-2662. Além da aula de defesa pessoal, será servido um café com espaço de diálogo sobre o tema.

“Todos os dias os noticiários trazem inúmeras denúncias de assédio, estupro, violências contra mulheres. Infelizmente não tem dia, lugar ou hora. Pensando nisso, convidamos para que participem de uma aula de defesa pessoal, como uma forma de ficar mais segura”, explicou Natalia.

Denuncie!

A delegada da polícia titular da DPCAMI de Tubarão, Gabriela Tisott Fruet, informou que casos de importunação sexual, perturbação da tranquilidade e inclusive crimes envolvendo crianças são, infelizmente, corriqueiros. Ela salienta a importância do registro do boletim de ocorrência.

“É importante que as vítimas registrem sempre a ocorrência. Quando não conseguir identificar a pessoa,podem gravar a cor e placa de carro para que a polícia tente identificar os autores”, explica.