Marcele Bressane: dia contra a homofobia

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Ontem, dia 17 de maio, foi o dia de luta contra a homofobia. Dia de unir forças e mostrar que todos somos contra a violência contra a população LGBT.

Sei que este assunto é muito controverso e muitos de vocês que estão lendo vão dizer que não tem nada a ver com isso, pois são heteros, cisgeneros ou nem conhecem nenhum gay, lésbica, bi ou transexual. Ok. Mas somos uma sociedade, certo? Se alguém sofre, todos acabam sofrendo. Vemos agora nessa pandemia, muitos de nós não perderam ninguém, mas a nação inteira está perdendo. Isso é igual, perdas que um país inteiro chora. Racismo, feminicídio, homofobia. São todas perdas que fazem um país perder. Perder jovens que poderiam trabalhar e alavancar a economia, crianças que poderiam criar e tornar um futuro melhor, adultos que poderiam formar laços. E perdemos diante o preconceito. O Brasil inteiro perde. Então, sim, você tem a ver com esta conversa.

Já que somos responsáveis por isto, é necessário que entendamos o começo desta história. No dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde retira a homossexualidade dos manuais diagnósticos, ou seja, mostra para a mundo que ser gay não é nenhuma doença. Uma luta de anos de toda a comunidade, e que neste dia triunfa um direito importantíssimo. Desta forma, a partir deste ano, esta data simboliza luta e vitória. Um caminho cheio de tropeços, mas cheio de carinho e afeto.

Infelizmente, temos muito o que ficar triste neste dia. Somos o país que mais mata transgêneros no mundo. Que mais gays sentem medo de andar na rua. Temos muito preconceito e dificuldade em acessar direitos já concebidos: como o casamento igualitário, nome social em cartórios. Estamos andando de ré nos direitos da comunidade lgbt, mas ela resiste e se constitui nessa luta. Está cada vez ganhando mais espaço de discussão, como em novelas e filmes. Nas músicas está se abrindo. Nas discussões de direitos está em busca.

E o que nós, podemos fazer para fortificar esta luta? Primeiro, é a compressão de termos, da história. É essencial que todos compreendam o básico. Não peço que ninguém seja expert, mas que possamos conversar com embasamento científico. Segundo, pergunte a eles as suas dúvidas. Beba da fonte. Saiba do preconceito contra a comunidade lgbt, falando com ela mesma e não o que você acredita do que é o preconceito. Terceiro, a escute e mude! Muitos de nós, mesmo escutando que aquela brincadeira é preconceituosa, resiste e diz que é mimimi. Precisamos parar de achar que a dor do outro é besteira. E se machuca alguém a sua piada, ela não tem graça nenhuma. E por último, é necessário que entendamos que homofobia não é só morte e espancamento, é brincadeiras, bullying, trabalhos negados, saúde precária, expulsões de casa. Homofobia é muito maior e você precisa sempre estar se olhando para não ser homofóbico em nenhum momento, ou se for, se perceber e pedir desculpa, aprendendo com o erro.

Somos uma comunidade só. Somos brasileiros. Quando vamos cuidar de todos nós?