Patrícia Pozza: Tolerância? Zero!

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Francisco Milani, falecido ator e dublador, interpretou um dos personagens mais marcantes do humor na TV brasileira, no programa Zorra Total, o Saraiva, com o bordão “pergunta idiota, tolerância zero”.

Saraiva divertia o público com seu jeito extremamente mau-humorado. Na época, seu bordão era muito lembrado e utilizado (um meme), como forma de resposta ríspida e grosseira à perguntas que ele considerava como óbvias, marcando o seu nível de tolerância na convivência com as pessoas: zero!

Fica engraçado ver uma pessoa assim quando o personagem mal-humorado está em uma tela e, não se tem que conviver com ele. Além disso, não tem graça quando se sente pessoalmente tamanho mal estar, como se fosse explodir ou implodir de irritação.

Em geral as pessoas toleram os “Saraivas” pelas suas grosserias e intransigências decorrentes de não terem acordado bem no dia ou, terem um tipo de personalidade mais “azeda”. E os outros? Os outros que se explodam! É assim que o mau humorado se sente, com o “direito” de responder de forma cínica, em função de estar num mau dia, com humor insuportável ou, num daqueles dias em que “tudo dá errado”. Neste estado, grande parte das vezes o intolerante interpreta o que vem dos outros como algo irritante e sem sentido.

Atualmente vem crescendo a intolerância nas relações, seja como um sintoma de doença mental ou pela própria cultura que favorece a dificuldade em aceitar as diferenças naturais entre os seres humanos. A Intolerância, a irritação e o mau-humor, são atitudes ou estados mentais que podem ser considerados como defensivos, ou seja, daquele que está “acuado”, que sofre seja pelas pressões do meio físico, social ou, das suas próprias torturas psicológicas.

A intolerância muitas vezes é expressa por influência cultural, através da dificuldade de aceitação dos fatos e pessoas, por critérios de seletividade, admitindo como “corretos” e “normais” somente aqueles ou aquilo com que se identifica, a partir de determinados padrões determinados por uma moral. O que foge a isso é rechaçado.

Pessoas abertas às experiências e ao outro, reconhecem que os diversos fatos e acontecimentos da vida expressam a realidade, sem estarem perseguindo alguém. O
mundo sem ilusões e preconceitos, é sempre amigo e tolerante.

E você? Como está o seu nível de tolerância?