Tubarão perde 80% da sua receita e atletas buscam justiça para receber pagamentos atrasados

Caio Maximiano
Caio Maximiano
Foto: Clube Atlético Tubarão

Antes da quarentena a situação para o Clube Atlético Tubarão já não era boa. Más atuações no campeonato Catarinense e atrasos salariais tomavam as manchetes dos jornais. Hoje, infelizmente o teor da matéria não será diferente. Em época de pandemia, a receita do peixe diminuiu em praticamente 80%, segundo informações do diretor executivo Joca Zappoli.

“Perdemos boa parte da nossa receita, praticamente 80%. Patrocinadores continuam honrando com seus compromissos, mas a última cota de TV, por exemplo, foi suspensa. Placas de quadro também foram suspensos, perderam receita dos jogos. A situação já não era boa e agora piorou ainda mais".

Todos os funcionários e jogadores estavam de férias até o dia 22 de abril. Agora a diretoria aguarda decisões do governo federal e principalmente estadual para definir seu futuro. Há expectativa de que nesta terça-feira, 28, o Governador Moisés dê resposta a solicitações da Federação Catarinense de Futebol. Atualmente o decreto estadual prevê o retorno de atividades como a de futebol apenas após o dia 31 de maio.

“O Tubarão está em constante contato com a FCF e acompanhando todas as decisões governamentais. Contudo, a preocupação hoje é honrar os salários. Me preocupo com o futuro das pessoas: se já está ruim para quem está empregado, imagina para quem não tem emprego. Em primeiro lugar pessoas, o esporte vem ao natural”, desabafou Joca.
O contrato de alguns jogadores e membros da comissão técnica encerram no próximo dia 30. O clube acredita que não irá renovar, não por questões técnicas, mas sim financeiras. Nesse ponto alguns atletas concordam com a diretoria e revelam não ficar.

“Já tive muito desgaste com essa situação e por isso não devo ficar. Não recebi nem o salário de dezembro completo ainda. A sorte que posso contar com ajudar dos meus pais e uma reserva que eu tinha. Espero que em um futuro próximo a justiça seja feita”, falou um dos jogadores que não iremos revelar o nome para preservá-lo.

Atletas buscam a justiça

E por falar em justiça a mesma já foi acionada por um grupo de atletas. Quem os representa é o advogado Filipe Rino que esclareceu ao Portal Infosul a situação. Segundo o advogado os processos estão em fase de conhecimento, ou seja, se deu entrada, mas ainda não teve andamento em decorrência do COVID 19.

“Quando os tramites judiciais voltarem o clube terá oportunidade de apresentar defesa, as partes podem fazer acordo e caso não tenha acordo o processo segue para determinação de sentença do juiz”, explicou Rino.

Quase todos os jogadores que acionaram a justiça lutam pelos mesmos direitos: pagamento de salário, décimo terceiro, férias e FGTS. Apenas um caso foge dos demais, onde o atleta requer indenizações por ter sofrido um acidente de trabalho. Eles são protegidos pelas leis trabalhistas (CLT) e a Lei Pelé.

“Em relação a processo de atletas que tem contrato em vigência, nos casos em que há atrasos salariais o clube pode sofrer sanção, caso o atraso salarial e depósito de FGTS não forem depositados por mais de 3 meses, a sanção é a rescisão do contrato e consequentemente o clube tem que pagar o contrato integralmente. O atleta fica livre para assinar com outro clube e mesmo assim o Tubarão teria de pagar o contrato integral”, detalhou Filipe.

Muitos capítulos devem ter essa novela, enquanto isso sofre o clube, os atletas, funcionários e a torcida. Por falar no torcedor, uma boa notícia: Joca garante que tem elenco para disputar a fase final do Catarinense e a Série D.

“Estamos preparados para o segundo semestre, não precisamos contratar mais jogadores, pois os temos. Temos comissão técnica também, prontos para reiniciar. Queremos voltar, mas com critérios razoáveis para se poder trabalhar e de como enfrentar a pandemia”, afirmou o diretor executivo do peixe.

Caio Maximiano
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